Entendendo a origem e trajetória de muitos medicamentos alopáticos

Pareja-Artigo e vídeo. 21/08/2020 Relatar Quero comentar

No consultório conversando e interagindo há anos com os pacientes, percebo que existe um grande apelo em muitas pessoas para o uso de medicamentos chamados e rotulados como “ naturais ou  fitoterápicos”, eles exercem um fascínio e o desejo e destemor em usá-los sem levar em conta a comprovação científica, eficiência e segurança.

No senso comum, a percepção por parte dos pacientes é de que se um  medicamento for de “origem natural ou fitoterápico”, eles seriam mais seguros e menos tóxicos que os medicamentos  alopáticos tradicionais usados na medicina atual. Esses medicamentos ganham um salvo conduto para serem usados de forma disseminada e indiscriminada.


Noto ainda que frequentemente os pacientes nem citam nas consultas que estão usando essas substâncias, mesmo quando indagados em todos os atendimentos sobre quais os medicamentos estão ingerindo, tal é a confiança cega de que estas são substancias inocentes e que não causam mal e de forma inconsciente entendem que não precisam informar que estão tomando.

Sabendo então que vários venenos estão presentes nas plantas ou outros produtos de origem natural, vale aqui lembrar de imediato do famoso enunciado do renomado médico do século XV, conhecido como Paracelso, “Dosis sola facit venenum”, ou seja, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

Sendo assim, não importa a origem de uma determinada substância química com propriedades medicinais, em doses exageradas ela pode causar efeitos colaterais leves ou potencialmente graves e até matar. E ainda que em doses insuficientes, um alegado “medicamento natural”, mesmo não sendo venenoso e não matando, também não cura, ainda que possa ter alguma propriedade terapêutica.

Convém dizer que temos muitos exemplos de medicamentos já tradicionais na medicina moderna hoje com grande importância clínica e que foram originalmente baseados na percepção inicial de algum produto natural que parecia possuir alguma propriedade farmacológica. 


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